O Setembro Amarelo é a maior campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio no Brasil. Realizada anualmente ao longo do mês de setembro, a iniciativa foi oficializada por meio da Lei nº 15.199/2025 e tem como objetivo quebrar tabus, reduzir estigmas e estimular que as pessoas busquem e ofereçam ajuda. Falar sobre saúde mental e valorização da vida é um compromisso de todos, e a campanha nos convida a refletir sobre como pequenas atitudes podem fazer a diferença na vida de quem está enfrentando um momento difícil.
Por que o Setembro Amarelo é tão importante?
O suicídio é um problema de saúde pública que impacta não apenas quem sofre, mas também familiares, amigos e toda a sociedade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida anualmente em todo o mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde registra cerca de 14 mil suicídios por ano, o que representa uma média de 38 vidas perdidas diariamente. Dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) apontam 16.533 mortes por suicídio em 2025, uma média de 45 casos por dia.
Esses números ajudam a dimensionar a urgência do cuidado, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. Entre 15 e 19 anos, o suicídio foi a terceira causa de morte; entre 20 e 29 anos, a quarta. Além disso, estima-se que, para cada morte por suicídio, há em média até 20 tentativas, o que amplia a responsabilidade de todos nós em reconhecer sinais e abrir espaço para conversa.
O tema da campanha
Em 2026, o Centro de Valorização da Vida (CVV) apresenta a campanha com o tema “Escutar é estar presente”. A mensagem reforça que oferecer uma escuta acolhedora pode representar o primeiro passo para que alguém em sofrimento emocional encontre apoio e não enfrente esse momento sozinho. Muitas vezes, uma vida não precisa de uma grande solução, mas da soma de pequenas presenças.
Sinais de alerta: como identificar quem precisa de ajuda
Os sinais de sofrimento psíquico podem ser sutis, mas merecem atenção e acolhimento. Entre os principais estão isolamento social, perda de interesse por atividades que antes davam prazer, mudanças bruscas de humor, falas de desesperança como “não vejo saída” ou “queria desaparecer”, e comportamentos de risco como automutilação ou uso abusivo de álcool e outras substâncias.
Outros indícios incluem alterações no sono e no apetite, descuido com a aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, irritabilidade frequente e frases como “ninguém gosta de mim” ou “nada que eu faço é bom”. Quando esses sinais aparecem juntos ou persistem, o cuidado precisa ser imediato e sem julgamento.
O papel da alimentação na saúde mental
A relação entre alimentação e saúde mental é mais profunda do que se imagina. O cérebro requer nutrientes específicos para manter sua integridade estrutural e sustentar as funções cognitivas. Esses nutrientes também participam da produção de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que influenciam diretamente o humor, o apetite e o bem-estar emocional.
Uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais, peixes, oleaginosas e azeite de oliva, contribui para regular o humor e proteger contra sintomas de ansiedade e depressão. Por outro lado, o excesso de ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras trans pode agravar o quadro emocional.
Alimentos fontes de triptofano, magnésio, vitaminas do complexo B, vitamina D e ômega-3 são especialmente importantes para o bom funcionamento do sistema nervoso. Peixes gordurosos, nozes, sementes, ovos, laticínios e leguminosas são exemplos de escolhas que podem atuar como aliadas na promoção da saúde cerebral e emocional. Cuidar da alimentação é, portanto, uma forma de cuidar também da mente.

Como oferecer apoio a quem precisa
A escuta qualificada é um dos pilares da prevenção. Ela oferece à pessoa um espaço seguro para expressar sentimentos dolorosos, promovendo o início do processo de elaboração emocional e reduzindo o risco de agravamento dos sintomas. Ouvir sem julgamentos, acolher e encaminhar para avaliação profissional pode salvar vidas.
Se você perceber que alguém próximo está em sofrimento, algumas atitudes podem fazer a diferença:
- Ofereça sua presença e disponibilidade para conversar
- Escute com atenção, sem minimizar o que a pessoa está sentindo
- Evite frases como “isso é frescura” ou “você tem tudo para ser feliz”
- Incentive a busca por ajuda profissional
- Mantenha contato e acompanhe a pessoa ao longo do tempo
Onde buscar ajuda
Existem diversos canais gratuitos e acessíveis para quem precisa de apoio emocional ou está enfrentando pensamentos suicidas:
- CVV (Centro de Valorização da Vida): ligação gratuita pelo número 188, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. O atendimento também pode ser feito por chat e e-mail no site cvv.org.br.
- UBS (Unidade Básica de Saúde): porta de entrada para acompanhamento inicial, encaminhamentos e orientações.
- CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): serviço especializado em saúde mental, com atendimento para casos de sofrimento psíquico moderado a grave.
- UPA (Unidade de Pronto Atendimento): para crises agudas e atendimento imediato.
- SAMU (192): deve ser acionado em casos de urgência.
Tudo que envolve risco de suicídio deve ser tratado como uma emergência médica.
O Setembro Amarelo é mais do que uma campanha: é um convite para que todos nós nos tornemos agentes de cuidado e valorização da vida. Falar sobre saúde mental sem tabus, identificar sinais de alerta e oferecer uma escuta acolhedora são atitudes que podem transformar realidades.
Na Feinkost, acreditamos que o bem-estar vai além da alimentação. Cuidar da mente, do corpo e das relações é essencial para uma vida plena. Que este mês nos lembre da importância de estar presente, de ouvir e de oferecer apoio. Se precisar, peça ajuda. Se puder, ofereça ajuda.
